Tuesday, January 18, 2005

NINGUÉM FODE COM O TERREMOTO TORQUEMADA.

Tinha passado um pouco das cinco da tarde e a chuva já havia passado bastante do limite. O som continuava rolando na festa do Américo e meia dúzia de gatos pingados ainda se contorcia debaixo dos graves que saíam das caixas. A festa tava praticamente acabada e a gente estava desistindo de fazer o primeiro show do Terremoto Torquemada na represa de Guarapiranga.
Foi quando minha irmã, que tinha ido chamar o seu Mário (Bros) e seu tratorzinho vermelho, despontou com seu carro na prainha.
Em seguida, veio o tratorzinho vermelho do seu Mário (Bros)...
Logo depois, a Saveiro do Igor, com uma lona amarela, protegendo a bateria da chuva.
A bateria que a gente usa – é bom que se diga – é lendária.
Foi um presente do Paxá, o mentor do Terremoto Torquemada, pai do Américo e baterista fenomenal que tocou com todo mundo que foi alguém nos primórdios do rock brazuca.
O Kiss tem “God Gave Rock’n’Roll To You”.
A gente teria que ter um “Paxá Gave Rock’n’Roll To You”, mas... você sabe...
... músicas com notas demais não são o forte do Terremoto Torquemada.
Eu não sei se o Igor já trouxe a bateria montada, mas, quando eu dei por mim, já estava tudo pronto.
“Tudo pronto?”, eu perguntei.
“Tudo pronto”, respondeu o Igor.
O Américo balançou a cabeça e riu com o canto da boca.
Estamos em 2005 e, neste ano, faz pelo menos 15 anos que a gente faz merda junto – todo tipo de merda – e, se você tivesse passado parte desses 15 anos convivendo com esses dois como eu convivi, você saberia na hora. Aquele sorriso do Américo diz, sem palavras: “a gente vai fazer merda”.
A gente fez merda.
No começo, a gente até que demorou pra se encontrar e – pra dizer a verdade – a gente nem sabia que música a gente tava tocando. Geralmente, quando a gente não sabe que música a gente ta toicando, essa música acaba virando o tema de Terremoto Torquemada. Acho que fez bem a gente ter postado a letra aqui, porque quando as pessoas perceberam que era aquilo, todo mundo começou a gritar: “TERREMOTO... TORQUEMADA”.
Lembro de ter visto o Brisa, um sujeito de camisa verde que dançou praticamente por toda a festa com um esgar maluco no rosto, ter olhado pra gente e balançado a cabeça em aprovação, antes de desaparecer em desabalada carreira em direção às águas barrentas da Guarapiranga. Acho que ele atravessou nadando, porque eu não lembro de ter visto o sujeito voltar.
Depois, a gente fez o que o Terremoto Torquemada faz: inventar o nome da música e depois tocar. A gente olhava um pro outro e ria. A gente tava fazendo merda. Daí, veio o nome da próxima música: “Você caga grosso/ Eu cago no chão”, que eu não tive a manha de cantar além do primeiro refrão, mas acabou gerando uma microfonia do cão – que é o que fode com todo show, menos o nosso. Se a chuva não fodeu, se NÓS MESMOS não fodemos...
NINGUÉM FODE COM O TERREMOTO TORQUEMADA.
Nem Deus,
Nem o Diabo.
Nem uma chuvinha de merda.
Os trovões faziam o céu tremer quando a Má subiu ao palco e foi com ela que a gente mandou ver em “No Cu Pardal”, que fechou o show.
Uma coisa é certa: as pessoas podem não ter entendido porque a banda se chama Torquemada, mas a parte do TERREMOTO ficou bem clara!

TESTEMUNHAS OCULARES

Há pouco tempo, descobri que JAM session, era uma abreviação de Jazz After Midnight Session. O fato é que para mim, sempre significou uma reunião de um bando de gente que subia num palco qualquer para tocar o que quisesse, sem que aquele som fizesse necessariamente um sentido individual, mas que no geral tinha lá a sua harmonia. Isso dito, devo dizer que a porra do Terremoto Torquemada destruiu qualquer tipo de ideal harmonioso quando começou a tocar, no último domingo, lá na represa.
Quem tava lá, e eram poucos, viu algo no mínimo bizarro. Os caras (incluindo aí os que assistiam) estavam todos chapados e começaram a fazer barulho sem que aquilo fosse necessariamente música. Lembro que os caras começaram com o já famoso (?) "tema de terremoto torquemada" e logo emendaram com "bruce lee". O resto eu não lembro, afinal foi tudo improvisado ali, na hora.
Ó, não dá para dizer que foi o show da minha vida, afinal tava chovendo pra cacete e lembro que cheguei a meditar que a porra do tsunami que aconteceu lá na Ásia e destruiu tudo começou com uma merda de um terremoto. E daí olhei para frente e me liguei que eu tava olhando exatamente isso... terremoto fazendo merda! Mas com estilo, claro!
Ninguém mandou ir pra casa... perdeu!
(Marcelo Forlani)

Quem perdeu se fodeu, só isso que posso dizer do show do TT.
Tinha pouca gente, mas não importa a quantidade e sim a qualidade!
O Américo parecia um doente tocando baixo, era como se o rapaz estivesse sobre o encanto de alguma serpente, e olha que era a festa aniversário do cara.
O Fernando, sem comentários, acha que guitarra é “tauba” de lavar roupa, senta a mão sem dó. Mesmo faltando uma corda no pseudo-instrumento, o barulho era idêntico ao de uma lixadeira, daquelas que meu avô usava para acertar as ripas do galinheiro. Mesmo chovendo pra caralho o TT não abriu mão de sua performance tosca e grosseira. O Igor quase caiu do banquinho da batera por duas vezes. Será que ele escorregou na enchurrada?!
No final do show, depois de ver um louco alucinado comedor de cogumelos fazer merda o tempo todo, minha amiguinha Marília, irmã do Maradona, tocou guitarra e manteve o nível exagerado de ruído!
Comentários finais: Fernando Tucori, seu demente, cuidado para não engolir o microfone!
TT – puta show podreira
(Paulo Zappa Neto)

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

FE! amei amei amei seu blog... não tinha visto ainda!
:) genial como sempre...
beijão enorme!

... ana labate

January 19, 2005 at 5:23 AM  

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