Friday, January 21, 2005

UM POEMA PRA DAR BANDEIRA

Vou-me Embora pra Pasárgada
(Manuel Bandeira)


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou
amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra
Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e
falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E
como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver
cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me
contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas
bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas
triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar

Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


Texto extraído do livro
"Bandeira a Vida Inteira",
Editora Alumbramento – Rio de
Janeiro, 1986, pág. 90


2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

euuuuuuuuu
teeeeeeeee
aaaaaaaaaa
dooooooooo
ttttttttto
VEM!

January 22, 2005 at 5:09 PM  
Anonymous Anonymous said...

ah, tá...

January 24, 2005 at 12:00 PM  

Post a Comment

<< Home