Wednesday, March 23, 2005

oi, Vlad.

acabei de sonhar com você.
Sonhei que a gente tava fazendo uma peça de teatro juntos.
Era um palquinho pequeno e o esquema era o mesmo de sempre.
Eu tinha que dar texto
texto
texto
e mais texto
pra ser mais engraçado que você,
que conseguia fazer isso só estando lá.
Então, na hora que a gente entrou em cena,
(pois meus sonhos são meio assim,
meio sonho, meio consciente)
pensei comigo:
“Curte bastante.
Você está em cena com o Vlad”.
Lembro de tão pouca coisa, Vlad.
Lembro que a gente dava uma volta pelo palco,
como se estivesse dando uma volta pelo mundo,
uma volta por toda nossa vida.

Eu usava tudo que tinha,
naquele improviso,
pra fazer daquela cena uma cena especial.
Você dava risada.
E sua risada fazia aquela cena
ficar mais especial
que todas as que eu jamais fiz.
Toda vez que você ria,
o mundo ria com você.
O mundo e eu.
Eu não podia olhar nos seus olhos,
porque senão me desconcentrava
e perdia o texto.
E eu olhava.
e me desconcentrava.
e perdia o texto.

E você ria.
Ria
Ria
Ria
E o mundo ria com você.
E eu ria com o mundo.
Com você.
Você e o mundo.

Naquela cena,
a gente tinha que comprar uns biscoitos de nozes
numa barraquinha de um sujeito
que vendia espetinhos de nozes.
Como isso pode?
É um sonho, não é?
Então pode...
Sabe quem era o cara da barraquinha?
Lembra do Bigode do Desafinado,
aquele karaokê sujo e feio
em que eu fazia as minhas festas?
Então...
Era ele.

sabe?
O Bigode morreu.
Ano passado,
fui fazer minha festa lá
no Desafinado de novo.
Foi o maior erro de todos,
mas quis fazer isso por você.
Quis lembrar de você lá.
Era pra ser uma espécie de despedida.

De toda a galera da faculdade,
ele só lembrava de mim e de você.
Só nós dois.
Nós é que avacalhávamos aquele karaokê com classe.
Vou dar uma editada nas fitas que a gente gravou lá
e passar pra todo mundo.
Mas tenho um pouco de medo que as pessoas fiquem tristes...
Mas é uma coisa tão linda.
Você e a Fê cantando juntos...
Antes teve você e o Alê.
O Alê já disse que quer ver,
mas eu nunca encontro com ele.

Quando eu cheguei lá no Desafinado
naquela festa de aniversário
e me contaram que o Bigode tinha morrido...
... eu quis ir embora.
Sem você
e sem ele,
aquele lugar deixou de fazer qualquer sentido.

Nunca mais volto lá, Vlad.

O que eu tinha que ter de lá, já tenho.
Tenho vídeos,
tenho fotos,
tenho memórias
e tenho ecos de risadas
que vem e voltam e,
de vez em quando,
voltam nos meus sonhos,
como hoje.

3 Comments:

Blogger _aninha.tmp said...

oiii feeeee, meu querido! tudo bom?
faz tempo q não comento por aqui... seu blog eh maravilhoso, viu! c sabe q eu babo o ovo de vc escrevendo!

:) espero q esteja tudo bem com vc. um beijo... estou trabalhando em sao bernando.. faz uns meses já... qquer sexta feira eu vou a são paulo fazer uma baguncinha e a gente combina de se ver :) ok?

um beijo granbe!

March 29, 2005 at 2:42 AM  
Blogger Calu Baroncelli said...

Se vc queria fazer alguém chorar, saiba que conseguiu.

April 3, 2005 at 2:18 PM  
Blogger Terremoto Torquemada said...

se vc achou que a intenção era fazer alguém chorar, saiba que vc não conseguiu.

April 4, 2005 at 8:51 AM  

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