Wednesday, April 27, 2005

Eu escolhi outra coisa

Escolha a vida.
Escolha um emprego.
Escolha uma carreira.
Escolha uma família.
Escolha uma televisão grande pra caralho, escolha máquinas de lavar, carros, CD-players e abridor de lata elétrico.
Escolha a saúde, sem colesterol e convênio odontológico
Escolha financiamento de casa própria com juros pré-fixados.
Escolha sua primeira casa.
Escolha seus amigos.
Escolha roupas de ginástica e uma sacola que combine.
Escolha um terno num estabelecimento de crédito e não numa porra de rede de lojas.
Escolha uma política de faça você mesmo e pergunte-se "quem sou eu" num domingo de manhã.
Escolha ficar sentado num sofá vendo programas de TV que anestesiam a alma e destroem o espírito, enfiando comida congelada boca adentro.
Escolha apodrecer no final de tudo, amaldiçoando seu passado em um lar miserável, nada mais que uma vergonha para o pirralhos egoístas e neuróticos que você botou no mundo pra te substituir
Escolha seu futuro.
Escolha a vida.
Mas porque é que ia fazer uma coisa dessas?
Eu escolhi não escolher a vida
Escolhi outra coisa.
O motivo?
Não tem nenhum motivo.
Quem precisa de motivo quando existe heroína?
As pessoas acham que é tudo miséria e desespero e morte e toda essa merda - que não dá pra ignorar que é - mas elas esquecem do prazer que existe nisso. Senão, a gente não ia estar nessa.
Afinal, ninguém aqui é um estúpido de merda. Bom.. pelo menos, não esse tipo de estúpido de merda.
Pega o melhor orgasmo que você já teve, multiplica por mil e, ainda assim, você nem chega perto.
Quando você se mete com heroína, só uma coisa te preocupa: onde arrumar.
Quando você tá limpo, de repente, tem que se preocupar com todo o tipo de merda.
Não tem dinheiro, não dá pra comprar mé.
Tem dinheiro? Aí, bebe pra caralho.
Cata mulher, mas não consegue trepar.
Consegue trepar, mas briga o tempo todo.
Você acaba tendo que se preocupar com contas, com comida, com uma porra de time de futebol que só toma no cu, relacionamentos pessoais e todas as coisas que simplesmente não importam quando você tem um hábito sincero e honesto de chapar em heroína.
O único problema, ou, pelo menos, o principal problema, é que você tem que agüentar toda a espécie de cuzão te dizendo o contrário.

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